Núcleo Jovem Engenheiro

Opinião – Sem investimento em educação não tem crescimento

Os alarmantes dados na área de engenharia nos mostram o tamanho do desafio que temos pela frente. Embora registremos números crescentes de formandos na área ao longo das décadas, estamos muito atrás de países de primeiro mundo, como Coreia do Sul, que conta com 29,1 graduados em engenharia por 10 mil habitantes; o Brasil conta com 4,8 por 10 mil habitantes, como aponta a assessora Zil Miranda, da Confederação Nacional da Indústria/Mobilização Empresarial pela Inovação (CNI/MEI).

Em São Paulo encontram-se 26% dos engenheiros formados, seguido pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.

Se a distribuição por países e região é desigual, mais gritante ainda é a distribuição por gênero. Em São Paulo, conforme dados de 2018, dos 361.687 profissionais que estão ativos no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), apenas 11,76% são mulheres. Um caminho longo para a igualdade.

A oferta de cursos de engenharia esbarra em diversos fatores que dificultam o acesso e, por consequência, a formação de novos profissionais. Para os cursos a distância ainda temos uma agravante: a falta de distribuição de energia elétrica e de internet para lugares afastados. Soma-se a tudo isso a questão da evasão nos cursos de engenharia, assustadoramente alta – segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o número de concluintes representa apenas cerca de 10% do total de ingressos para as áreas de engenharia, produção e construção entre 2015 e 2016. De acordo com estudo apresentado no Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (Cobenge 2017), quase 30% da evasão se deve por problemas financeiros e 14% pela não identificação com o curso. Segundo especialistas, investir em cursos de nivelamento diminui o número de retenção e por consequência a evasão. Autores também descrevem que quanto mais estreitos os laços com a instituição de ensino, menor a taxa de evasão.

Precisamos realmente de medidas urgentes. Temos dados suficientes para fazer as melhorias em pequena e larga escala. A partir do panorama das engenharias no Brasil, as Instituições de Ensino Superior precisam realizar as mudanças de acordo com a evolução tecnológica e social. A transformação é inevitável. Manter padrões antigos só afasta os alunos do ambiente escolar. É preciso também quebrar preconceitos dentro da faculdade com relação aos temas sociais atuais.

O ambiente universitário, assim como a escola de ensino médio e fundamental, é um laboratório para as relações em sociedade. Manter o diálogo com os alunos, promover a integração entre os colegas da instituição de ensino e atividades extracurriculares contribui ao bom desempenho dos estudantes e à diminuição da evasão.

Elisabeth Silva Pereira é membro da equipe de coordenação do Núcleo Jovem Engenheiro do SEESP

Fonte: http://www.seesp.org.br/site/index.php/jornal-do-engenheiro/item/18301-opiniao-sem-investimento-em-educacao-nao-tem-crescimento

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